quinta-feira, 5 de junho de 2014

Polícia italiana apreende 30 mil garrafas de vinhos falsificados na Toscana

> Região do Chianti Clássico é uma das atingidas pelos falsários
Não é só o Brasil que sofre com adulterações nos vinhos. A Itália, maior produtor de vinhos do planeta, tenta digerir um escândalo de proporções mundiais que atinge alguns dos seus mais prestigiados rótulos. Na última sexta-feira (30/05), a polícia italiana apreendeu aproximadamente 30 mil garrafas de vinhos baratos falsamente rotulados como Brunello di Montalcino, Chianti Clássico e outros produtos de alta qualidade. A suspeita é que as garrafas tenham sido exportadas para todo o mundo. 

O flagrante ocorreu em vinícolas, lojas, restaurantes, bares e supermercados na região da  Toscana, no centro do país da bota. O Ministério da Agricultura da Itália ainda investiga a fraude constatada pela unidade anticorrupção do governo. A polícia suspeita que seis empresas estejam envolvidas na atividade ilegal, mas seus nomes não foram divulgados. Com uma garrafa de Brunello ao preço médio de R$ 95, o crime soma em torno de R$ 3 milhões.  

Alguns vinhos foram rotulados de forma pirata como Bocelli, a conhecida vinícola toscana do cantor de ópera Andrea Bocelli. A adulteração rendeu um valor 10 vezes maior para os falsários. A  associação que representa os vinhos Brunello di Montalcino condenou veementemente o delito. O alerta às autoridades foi dado por consumidores, que desconfiaram da qualidade dos vinhos. 

> Suspeita de fraude abala adegas italianas
O ministro da Agricultura italiano, Maurizio Martina, elogiou o trabalho da polícia e declarou: “Temos de continuar a trabalhar com o máximo de atenção para defender a nossa produção de falsificações, que danificam a marca Made in Italy”, disse ele em um comunicado.  O ministério informou que tem realizado cerca de 6 mil testes em vinhos nas vinícolas e no comércio, procurando coibir a falsificação de rótulos italianos.  

“Embora a investigação ainda esteja em andamento, eu diria que os produtores e toda a área de Montalcino são vítimas de uma grave fraude, mas que não deve deixar uma sombra sobre a nossa DOCG”, reagiu o presidente do Brunello di Montalcino Consorzio, Fabrizio Bindocci. “Como qualquer grande marca internacional, somos alvos naturais para os falsificadores. Somos gratos às autoridades, que têm sido capazes de descobrir este comportamento criminoso que fere a nossa indústria”, completou. 

> Brunello di Montalcino é uma das áreas afetadas pelo mais recente escândalo de falsificação na Itália
A região do Chianti Clássico é a “zona de origem” produtora de vinho mais antiga da Itália, delimitada por um decreto ministerial em 1932. Fica delimitada ao norte pela cidade de Florença, a leste pelas montanhas de Chianti, ao sul por Siena e a oeste pelos vales de Pesa e Elsa.As exportações italianas de vinho bateram a marca de 5 bilhões de euros (o equivalente a mais de R$ 15 bilhões) em 2013. 

Os principais mercados são Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido. No Brasil, a Itália é o terceiro país preferidos pelos consumidores de vinhos. Do total de vinhos italianos elaborados no ano passado, 40% são provenientes de 331 vinícolas responsáveis por vinhos DOC (Denominação de Origem Controlada) e de 59 vinícolas DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida). Outros 30% vem de 118 vinícolas IGT (Indicação Geográfica Típica) e os 30% restantes são de vinho de mesa.

Veja este vídeo com imagens da apreensão dos rótulos falsificados na Itália. 

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