quarta-feira, 4 de junho de 2014

Conheça os segredos da vinícola brasileira que bateu todos os recordes de vendas ao exterior

> Vinícola Miolo, no Vale dos Vinhedos, lidera ranking brasileiro de exportação de vinhos finos há sete anos

O ano não chegou nem na sua metade, a Copa ainda não começou e a Vinícola Miolo já alcançou o valor exportado em 2013. Mais do que isso, bateu o recorde histórico de vendas de vinhos ao exterior. Foram comercializadas 100 mil caixas de vinhos nos primeiros quatro meses do ano. A marca anterior era do já distante ano de 2008, com 98 mil unidades. O número de agora é muito superior as 60 mil caixas embarcadas pela Miolo durante todo o ano de 2013. O faturamento, com isso, foi de US$ 1,8 milhão até abril, maior do que os 12 meses do ano passado! A expectativa de fechamento do semestre é de um faturamento de US$ 2,5 milhões. Para o ano, a expectativa é chegar, no mínimo, aos US$ 3 milhões.

Segredos
A realização da Copa do Mundo este ano no Brasil e das Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016 não são o principal motivo deste “boom” da Miolo no mercado externo. “Teve alguma influência positiva, sim, mas não é a razão crucial do nosso crescimento”, avalia a gerente de exportação da empresa para Américas e Ásia, Morgana Miolo. Ela explica que os embarques do mês de maio, por exemplo, que só vão chegar nos seus destinos após a Copa do Mundo, foram muito positivos, elevando o faturamento a algo próximo aos US$ 2,2 milhões nos primeiros cinco meses do ano. “Nossas exportações têm crescido bastante pela escolha que fizemos dos nossos importadores, boa parte deles players de mercado, que acreditaram no vinho brasileiro e no trabalho de qualidade da Miolo”, destaca.

> Morgana Miolo revela os segredos de como
exportar cada vez mais
Uma prova é que o país líder na compra de vinhos da vinícola gaúcha este ano é a Bélgica, que até o ano passado não aparecia no ranking dos 10 principais destinos da Miolo. “Conquistamos um novo importador que, em poucos meses, tomou o 1º lugar da Inglaterra, que há anos sempre foi nosso principal país comprador”, revela. O incremento nas vendas na Alemanha também teve um salto este ano, assim como o Japão. No país dos craques Ozil, Podolski, Muller e Klose, a Miolo passou a estar presente, com força germânica, nas redes Netto e Khaufhof. No país do sol nascente, a vinícola tem dois importadores. “Nos últimos seis anos, sempre exportamos em paletes, onde cabem 120 caixas em média, e desde o ano passado já mandamos 10 contêineres, em geral com 1.200 caixas”, exemplifica Morgana Miolo.

O esforço de uma década no mercado internacional trouxe ainda, a partir do ano passado, a presença nas adegas de grandes redes mundiais como a Waitrose e Marks & Spencer, na Inglaterra; Delhaize, na Bélgica; Ahold Group, na Holanda; Isetan, no Japão; e Groupe Casino, na França. Uma novidade foi a entrada em empresas gigantes de de cruzeiros marítimos, como a Viking Line, que percorre o norte a Europa, sobretudo o trecho Helsinki-Estocolmo

Ao todo, os rótulos da Miolo Wine Group (MWG) podem ser encontrados em mais de 32 países, nos cinco continentes. Pelo sétimo ano consecutivo, a empresa segue na liderança brasileira na exportação de vinhos finos.

Wines of Brasil
> Vinhos brasileiros na Galeria Kaufhof em Berlim
Não é só a Miolo que vai bem no mercado externo em 2014. As demais vinícolas do Wines of Brasil, realizado pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), somaram uma exportação de US$ 5,75 milhões até abril deste ano, superior a meta do projeto para o ano, que era de US$ 5,5 milhões. O valor equivale a 4,5 vezes o total exportado de janeiro a abril do ano passado e supera em 6,6% o total exportado em todo o ano 2013. 

Para Roberta Baggio Pedreira, gerente do Wines of Brasil, a Copa ajudou a catalisar um processo de construção de imagem e aproximação comercial e dos vinhos finos brasileiros no Exterior que vem sendo realizado há 10 anos. “A realização dos grandes eventos esportivos serviu atrair a atenção do mundo para os produtos brasileiros, mas este desempenho só se concretizou porque temos vinhos a altura do que o mercado internacional exige e pelo trabalho de divulgação e de prospecção comercial realizado pelo projeto e pelas vinícolas até aqui”, explica a gestora. 

Outro dado comemorado é a qualificação do valor médio por garrafa exportada, que passou de US$ 3,32 para US$ 4,02, representando alta de 21%. “Não estamos nos posicionando nas categorias de entrada, nos quais países como Chile e Argentina, têm grande competitividade em função do grande volume e de menores custos de produção. O interesse maior dos compradores de vinhos brasileiros estão em vinhos de categoria intermediária, com bom custo-benefício”, observa Roberta. 

O resultado do Wines of Brasil foi muito influenciado pelo desempenho da Miolo. Tanto que os mercados compradores que se destacaram neste primeiro quadrimestre foram Reino Unido, que multiplicou em 29 vezes o valor importado do Brasil, a Bélgica, que registrou alta 51 vezes maior, a Alemanha, que incrementou o resultado em 6,5 vezes, a Holanda, com 99,5 vezes o montante do período anterior, e o Japão, que multiplicou o desempenho em 14 vezes. 

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