terça-feira, 20 de maio de 2014

Vinícola centenária, Irurtia é pioneira na reconversão dos vinhedos no Uruguai

> Cave da Irurtia é um monumento histórico da vitivinicultura uruguaia 
Instalada no Km Zero do Rio da Prata, onde os rios Paraná e Uruguai se encontram, o Estabelecimento Vitivinícola Irurtia, em Carmelo, na costa oeste do Uruguai, comemorou 100 anos em 2013. É uma das maiores vinícolas do país, pioneira na reconversão dos vinhedos. Nos anos 50, Dante Irurtia, neto de Lorenzo Irurtia, o fundador da vinícola, foi o primeiro viticultor uruguaio a viajar à Europa (França e Itália) para conhecer a produção de vinhos de qualidade. Isso quando tinha apenas 10 hectares. A experiência o levou a plantar mais de 25 variedades de uva. “Ele queria ver quais se adaptam melhor ao nosso terroir”, conta María Silva Bianchi, responsável pelo comércio exterior da vinícola.

A expansão alcança hoje 350 hectares – sendo 260 ha em produção – nesta que é uma das mais tradicionais vinícolas do Uruguai. Uma rápida visita à sede da empresa é como recuperar a história vitivinícola do país vizinho. Os tanques de cimento, as barricas usadas há décadas, tudo convive com a modernização dos processos. Destaque para a coleção de carros antigos – uma paixão da família Irurtia – como um Chevrolet 1926 e o Jeep Wagoneer 1972, um dos primeiros veículos utilitários esportivos lançados no mundo, que nos conduziu pelos vinhedos.
> 260 hectares de vinhedos em plena produção
Nos últimos quatro anos, o investimento no enoturismo virou prioridade, aproveitando a proximidade com vários hotéis reconhecidos em nível internacional, como o FourSeasons Resort, cinco estrelas, que tornou Carmelo uma atração turística valorizada para europeus e americanos. Três roteiros foram montados antes do centenário da vinícola, que atraiu  4 mil visitantes em 2013, o dobro da média dos últimos anos. A maioria dos visitantes são estrangeiros, especialmente aqueles oriundos de cruzeiros de Buenos Aires. Apesar da distância – a vinícola está a 235 Km de Montevidéu e a 90 Km de Colônia do Sacramento – os brasileiros (vindos do centro do país) já superam os argentinos.

 
> Coleção de carros antigos como um Chevrolet 1926 é uma das atrações para os turistas.
Maria Noel Irurtia nos conduziu por Carmelo, pelos vinhedos e pela vinícola a bordo de um
Jeep Wagoneer 1972, um dos primeiros veículos utilitários esportivos lançados no mundo 

María Noel Irurtia, que também tem uma agência de turismo em Carmelo, organiza visitas com caminhadas ou carro antigo pelos vinhedos, passando por um mirante. A turnê segue por todas as etapas de elaboração de vinhos, culminando em uma degustação de produtos na cave da Irurtia, um encanto à parte.

> Grappa de Tannat e Gewürs botritizado são tradicionais > Degustação dos rótulos Km0: fáceis de beber

Antes da degustação, o brinde é com o famoso Medio a Medio, uma espécie de vinho frisante, mistura de vinho branco seco e espumante doce, com 60 gramas de açúcar (a metade de um moscatel), muito tradicional no Uruguai. 

Entre os vinhos, se distinguem o branco Viognier, o Botrytis Excellence Cosecha Tardía 2002 e 2004, com Gewürztraminer botritizado, e o Pinot Noir 2008 (com produção de apenas 2.500 garrafas). Pra finalizar, uma taça de Grappa de Tannat.

Na região, a proximidade com o Rio de Prata antecipa a colheita de Tannat em duas semanas, na comparação com Canelones. Os melhores exemplares da uva símbolo do Uruguai são rotulados com a marca "Reserva del Virrey", de safras mais antigas.  

> Prédios de concreto e cimento formam a paisagem da centenária vinícola

> Verdadeiras raridades são guardadas sob grades na cave da Irurtia

> A beleza dos vinhedos coloridos no outono

2 comentários:

  1. Bem Bacana a matéria!!! Tivemos o prazer de conhecer a vinícola em uma de nossas viagens! Os vinhos são ótimos!! abraços!!!

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