quinta-feira, 1 de maio de 2014

Uruguai, o país da moda

O Uruguai é o país da moda. O estilo de vida austero do presidente José “Pepe” Mujica, que doa 90% do seu salário para ONGs e pessoas carentes, tem chamado a atenção do mundo todo para o Uruguai. No ano passado, ele implementou uma lei que legalizou e regulou a produção, venda e consumo de maconha, além de também ter aprovado o casamento gay. Recentemente, Mujica ofereceu asilo a cinco detentos da prisão de Guantânamo, em Cuba.

> Natureza em estado puro é uma das atrações do Uruguai. Pôr do sol a partir de uma suíte da Casapueblo
Mas fora as medidas excêntricas e polêmicas do seu presidente, a nova tendência ainda a ser desvendada no Uruguai é o enoturismo. De produção vitivinícola centenária, o país do ano (2013), segundo a revista britânica “The Economist”, vive um momento de afirmação de novas vinícolas e a redescoberta de empresas tradicionais. 

Fortemente influenciado pelo Rio da Prata e pelo Oceano Atlântico, o Uruguai tem as suas principais regiões produtoras de vinhos na costa sul – Maldonado, Canelones e Colônia. Situado entre os paralelos 30 e 35, a exemplo de Chile, Argentina, Austrália e África do Sul, o país possui, nas palavras de Juan Bouza, “a possibilidade de elaborar vinhos que possuem a energia do Novo Mundo e o refinamento do Velho Mundo”. 

É a terra do Tannat, sim, mas há muito mais a descobrir.

> Vinhedos da Bodega Garzón, em Maldonado
Pelas características do clima atlântico, especialmente a influência marítima, uma peculiaridade única na América Latina, o Uruguai é comparado com a região de Bordeaux, na França. Seu Rio da Prata é comumente equiparado ao estuário da Gironda. A maior região vitivinícola – Canelones – é dona de 60% da produção total. Fica bem no centro do país, ao Sul, muito próxima da capital Montevidéu, que abriga 40% da população local com 3,4 milhões de moradores.

Das 178 bodegas comerciais existentes, 135 estão na região de Montevidéu e Canelones. Em 30 minutos é possível alcançar a vinícola mais distante da Capital na principal região produtora do país.

As demais regiões produtoras do Sul do país ficam a menos de duas horas da capital – à direita Colônia (pela Rota 1) e à esquerda Maldonado (pela Rota 9). Dois dias são suficientes para visitar as vinícolas de Maldonado e ainda pegar uma praia em Punta ou nos diversos balneários do seu entorno, com direito ao imperdível pôr do sol da Casapueblo. A região de Colônia merece três dias, pelo maior número de vinícolas e pela obrigatória visita à cidade histórica de Colônia do Sacramento, Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

O único inconveniente da viagem, percorrida por estradas bem conservadas, grande parte delas duplicadas, é a sinalização deficiente. Há apenas placas indicando a existência de uma “bodega” na estrada, mas sem mencionar o nome nem a distância. “O governo entende que mais informações tiram a atenção do motorista”, explica, resignada, Margarita Carrau, presidente do consórcio de pequenas vinícolas “Los Caminos del Vino – Bodegas Familiares del Uruguay”. A posse de um mapa ou de um GPS, portanto, é obrigatória.

> Hotel Don Pepe, na entrada de Punta del Leste, tem localização perfeita na entrada da península
Iniciei o meu périplo pelo Uruguai por Maldonado, ao lado de Punta del Este, o destino mais procurado por turistas de todo o mundo. Visitei 15 vinícolas em nove dias. 

A primeira parada foi no Alto de la Ballena. Conto no post a seguir. 

Ainda vamos passear pelas bodegas Garzón, Los Cerros de San Juan, Finca Narbona, Irurtia, Campotinto, Juanicó/Família Deicas, H. Stagnari, Marichal, Carrau, Bouza, Castillo Viejo, Artesana, Chiapela e Varela Zarranz. Boa viagem!

> Estive hospedado na Casapueblo poucos dias antes da morte do arquiteto Carlos Páez Vilaró, o criador deste hotel-museu em forma de cidade-escultura, inspirada nas casas da costa mediterrânica de Santorini
> Punta del Este tem belas prais, baladas e festas à noite e uma ótimo infraestrutura de restaurantes e lojas 
> O melhor balneário da América Latina tem nome: Punta del Este; o único problema é a água gelada
> Monumento ao Afogado, popularmente conhecido como Munumento Los Dedos, é o símbolo de Punta, na Praia Brava. A escultura de cinco dedos parcialmente enterrados é do artista chileno Mario Irarrázaba

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