sábado, 10 de maio de 2014

Miolo agita mercado ao firmar novas parcerias com as gigantes Freixenet e Viña Santa Rita

> Adriano Miolo está dando as
cartas no mercado este ano
A Vinícola Miolo, uma empresa que passou 2013 um tanto retraída no mercado nacional, começou 2014 com o pé no acelerador. Tudo começou com a contratação de Danilo Cavagni, ex-Chandon do Brasil, para ser diretor executivo do Miolo Wine Group (MWG).

Com 38 anos de atividade no setor vitivinícola, Cavagni sempre ocupou posições divergentes às da Miolo nas entidades onde atuou, sobretudo na Uvibra. Um de seus adversários na entidade era Henrique Benedetti, sócio da MWG. Sem falar na rivalidade com outro desafeto seu, Carlos Raimundo Paviani, do Ibravin. A menção a estes fatos de bastidores – mas conhecidos de todos no setor – serve ao propósito de salientar a profissionalização em curso na Miolo sobretudo nos últimos dois anos. Amigos ou inimigos, negócios à parte. O capitão do time segue sendo o enólogo Adriano Miolo, diretor superintendente, um dos profissionais mais inovadores do setor vitivinícola nacional, respeitado por todos.

Na esteira deste reforço no comando administrativo e comercial da Miolo é que foram anunciadas as parcerias com duas marcas gigantes – a espanhola Freixenet, líder absoluta no mercado de cavas, e também com a Viña Santa Rita, a maior vinícola em participação de mercado no Chile e uma das principais exportadoras de vinhos super premium. As novidades agitaram o mercado nacional e certamente trarão um forte impacto perante os concorrentes, especialmente no setor de espumantes, a categoria mais valorizada entre os rótulos brasileiros.

Freixenet faz espumante brasileiro
> XB: 30 mil garrafas serão lançadas
em junho com preço entre R$ 40 e R$ 45
A união entre Miolo e Freixenet começa com o lançamento, em junho, do espumante XB, que será elaborado com uvas Chardonnay e Pinot Noir (50% cada) da Serra Gaúcha, dentro da Miolo, no Vale dos Vinhedos. O estilo do primeiro espumante brasileiro da Freixenet é de responsabilidade dos enólogos José Montilla, da Freixenet na Argentina, e Miguel Ângelo Vicente Almeida, da Miolo, que estão juntos neste sábado (10/05) em Bento Gonçalves. “É mais um sinal de que o caminho do vinho brasileiro está certo, mesmo com estrada plena de buracos”, disse Miguel Almeida ao Pautas de Guarda. Isso é o mais importante, a meu ver. Um espumante da marca global Freixenet com uvas da Serra Gaúcha e elaborado por uma empresa brasileira. Deve dar samba.

O Freixenet XB será elaborado pelo método tradicional (champenoise, com a segunda fermentação na garrafa), com nove meses de contato com as leveduras (autólise), a exemplo de seus cavas espanhóis. O dégorgement (remoção do depósito de leveduras por meio do congelamento do gargalo da garrafa) foi feito esta semana. É um Brut com 9 g/l de teor de açúcar. 

A presença de giropaletes, que realiza a “remuage” em 4 dias, ao invés de 40 no método manual, deve acelerar a produção inicial de
30 mil garrafas este ano para gradualmente chegar a 500 mil em dois ou três anos e 1 milhão de garrafas até 2019. Quando isso ocorrer, a Freixenet deve construir uma vinícola no Brasil.

A Freixenet elabora 120 milhões de garrafas de espumantes em 20 vinícolas situadas na Espanha, nos Estados Unidos, na França, no México, na Austrália e na Argentina. Com os vinhos tranquilos, são 200 milhões de Freixenet por ano. A empresa escolheu a Miolo depois de conhecer a estrutura de outras duas vinícolas brasileiras.

O problema do contrabando
A Freixenet é uma das marcas mais conhecidas – e consumidas – no Brasil. Comercializada 840 mil garrafas por ano, num crescimento de 225% de 2008 para cá. Mesmo em um ano de queda na venda de importados, cresceu 17% o ano passado. O problema é que boa parte dos espumantes Freixenet entram no Brasil por contrabando ou pela fronteira, com preços muito abaixo dos praticados no país. Isso traz problemas à marca, que recebe inúmeras reclamações de seus revendedores e distribuidores.

Um ex-representante da marca no Rio Grande do Sul, por exemplo, confidenciou ao Pautas de Guarda que fora demitido por apresentar poucos resultados em 12 meses de trabalho. “Meus superiores não entendiam como havia Freixenet por todos os pontos de venda possíveis ao mesmo tempo que eu vendia tão pouco”, relatou. O problema, segundo ele, é a entrada dos espumantes pela fronteira, sem a compra oficial nos revendedores da Freixenet.

O preço anunciado do XB será entre R$ 40 e R$ 45 – abaixo da média de R$ 55 do Freixenet Carta Nevada Demi-Sec [foto ao lado], seu rótulo mais conhecido e vendido no Brasil, fartamente encontrado em supermercados. Mas ainda assim acima do seu similar XB na Argentina, que é comercializado a aproximadamente R$ 15. Deve ser culpa dos malditos impostos!

Viña Santa Rita
O abalo das novas parcerias firmadas pela Miolo teve mais um capítulo com o anúncio de um acordo com a Viña Santa Rita, ex-Grand Cru. A comercialização dos vinhos Santa Rita pela Miolo e a distribuição dos vinhos Miolo no mercado internacional pela Viña Santa Rita começou no último dia 5 de maio. E empresa está presente em 75 países nos cinco continentes e no mercado brasileiro há mais de 20 anos.

O histórico de sinergia entre Miolo e Santa Rita já tem mais de três anos, quando uma das vinícolas do grupo chileno, a Viña Sur Andino, iniciou a elaboração do vinhos Costa Pacífico para a Miolo, que já é comercializado no Brasil. A Miolo, por sua vez, elabora o espumante Moscatel, sob a marca Terra Andina, na Vinícola Ouro Verde, no Vale do São Francisco – BA, para a distribuição da Santa Rita no mercado internacional.

> Santa Rita: a maior vinícola chilena aposta no Brasil
“Já havia uma sinergia e uma identificação entre os dois grupos em função da filosofia de trabalho das empresas Miolo e Santa Rita. O que fizemos foi estreitar nossos laços para que tenhamos maior representatividade no mercado internacional,  ao mesmo tempo em que aumentamos nosso portfólio”, comentou Adriano Miolo.

Os vinhos chilenos são os mais consumidos, na categoria importado, no mercado brasileiro. Para atender a essa demanda, a Miolo Wine Group passará a oferecer um portfólio mais completo e em diversas faixas de preço, desde R$ 25 na linha Costa Pacífico, até cerca de R$ 400 com o ícone, Casa Real. Farão parte do novo portfólio da Miolo: na categoria premium, as linhas 120 e Santa Rita Reserva; na categoria super premium, o Medalla Real; na categoria ultra premium, o Santa Rita Triple C e o Pehuén, além do ícone, Casa Real.

Repercussão
Agora, é esperar o contragolpe dos concorrentes, que já devem estar desenvolvendo novas estratégias para não perder mercado. Sobre os produtores pequenos de espumantes, nada deve mudar. No mundo todo, estes movimentos das grandes empresas afetam as empresas de grande e médio porte – para estas sim, um perigo agudo que merece atenção. As pequenas cantinas e seus espumantes de tiragem limitada têm espaço reservado entre seus apreciadores, que fogem de marcas globais. 

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