sexta-feira, 2 de maio de 2014

Mapa divulga lista de empresas investigadas em suposta adição de antibiótico em vinhos de mesa no RS

>  Nenhum dos rótulos com positivo para a substância
proibida é de espumante, suco ou vinho de exportação
A suspeita descabida que recaiu sobre os vinhos gaúchos e brasileiros desde ontem (feriado de 1º de maio) foi desfeita, felizmente, nesta sexta-feira (2). O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou a lista de vinícolas investigadas por uso de antibiótico em vinhos de mesa produzidos no RS. Os nomes das empresas e dos rótulos envolvidos [veja abaixo] na fraude não foram revelados ontem, o que motivou uma série de interpretações maldosas e, no mínimo, apressadas. Desde o primeiro momento se soube que os vinhos envolvidos eram de mesa, do tipo comum, ou seja, não tinham nada a ver com a elaboração de rótulos finos de alta qualidade.

Das 735 vinícolas gaúchas, aproximadamente 200 produzem vinhos de mesa. O Mapa disse que realizou testes em grandes vinícolas, mas em todas elas o resultado foi negativo. Nenhum dos rótulos com positivo para a substância proibida é de espumante, suco ou vinho de exportação.

O Mapa comunicou que vinhos de mesa produzidos por 53 indústrias foram analisados, sendo que em 13 delas foi detectada a presença da substância natamicina. Proibido por lei em alimentos, o antibiótico prolonga a conservação do vinho, sobretudo os do tipo suave (com alto teor de açúcar), para evitar a fermentação em garrafões e garrafas PET. Todos os rótulos foram recolhidos do mercado no ano passado. Novas coletas foram feitas em abril deste ano, mas as análises ainda não foram concluídas.


Os técnicos do Mapa informaram que a natamicina é um antibiótico barato muito eficiente no combate a fungos e leveduras que fermentam o vinho doce já engarrafado. O uso da substância é autorizado em queijos e salames (assim mesmo, só na casca). Um engenheiro de alimentos ouvido pelo Pautas de Guarda afirmou que a ingestão da substância não traz risco iminente à saúde das pessoas, mas contribui para o fortalecimento de bactérias resistentes, o que pode gerar doenças futuras. 

Histórico
A investigação do Mapa começou há quatro anos, quando a Alemanha recusou vinhos argentinos por conter o mesmo problema. A fiscalização do Mapa, então, contatou uma empresa que vendia o antifúngico para produtores argentinos e chilenos, o que acabou levando aos clientes brasileiros. Leia matéria sobre o caso aqui.

Na época, em 2010, os argentinos disseram que a natamicina não era usada na vinificação e sim na limpeza das adegas, como permite a legislação do país vizinho. Saiba mais aqui.
 

A fraude envolve empresas pouco conhecidas no Brasil, com mercado restrito à venda regional. O RS é responsável por cerca de 70% do consumo de vinho de mesa no país. As vinícolas flagradas respondem processo administrativo que pode resultar na aplicação de multa de até R$ 19 mil. O estabelecimentos correm o risco de ser interditados se ocorrer reincidência.


Confira a lista dos vinhos e das vinícolas investigadas: 

Empresa
Produto
Marca
Lote
Vinícola Gilioli
Vinho tinto de mesa suave
Casa Gilioli
27/05/13 e 25/06/13

Vinho branco de mesa suave
Casa Gilioli
09/06/13

Vinho tinto de mesa suave
Casa Gilioliseleção
25/07/13

Vinho branco de mesa suave
Casa Gilioliseleção
23/07/13
Vinícola Casa Motter
Vinho rosado de mesa suave
Casa Motter
005
Indústria e Comércio de Bebidas Del Colono
Vinho tinto de mesa suave
Bela Itália
01

Vinho branco de mesa suave
Bela Itália
10

Vinho branco de mesa suave
Del Tchodo
03
Indústria Vinícola São Luiz
Vinho tinto de mesa suave
Bortolini
02/11
VT Vinhos
Vinho tinto de mesa suave
Quinta Estação
01/2013

Vinho branco de mesa suave
Cave Titton
01/2013

Vinho tinto de mesa suave
Cave Titton
01/2013
Vinhos Bampi
Vinho tinto de mesa suave
Bampi
002
Cooperativa Vitivinícola Forqueta
Vinho branco de mesa suave
Forqueta
04

Vinho tinto de mesa suave
Muraro
002

Vinho rosado de mesa suave
Forqueta
05

Vinho tinto de mesa suave
AdegaForqueta
149
Cooperativa Vinícola Victor Emanuel  
Vinho tinto de mesa suave
Don Victor Emanuel
05

Vinho branco de mesa suave
Don Victor Emanuel
02
Santini Indústria Vinícola
Vinho tinto de mesa suave
Santini
008/13
Vinícola Capelletti
Vinho tinto de mesa suave
Capelleti
Sem lote
I.A. Sandi
Vinho tinto de mesa suave
Santa Teresa de Calcuta
003

Vinho tinto de mesa suave
Santa Teresa de Ávila
Sem lote

Vinho tinto de mesa suave
San Francisco
01/10

Vinho branco de mesa suave
San Francisco
Sem lote
Adega Silvestri
Vinho tinto de mesa suave
Don Silvestri
05

Vinho branco de mesa suave
Don Silvestri
03
Indústria e Comércio de Bebidas CMS  
Vinho tinto de mesa suave
Del Prado
04 e 26

Vinho branco de mesa suave
Del Prado
01

Coquetel de vinho rosado
PIO XII
01/02/03/04

Leia abaixo a nota oficial emitida pelo Instituo Brasileiro do Vinho (Ibravin):
O Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) não foi formalmente informado sobre esse tipo de problema, mas se há denúncias de irregularidades, cabe aos órgãos responsáveis investigar, punir os responsáveis e orientar o setor a fim de não prejudicar a reputação da cadeia produtiva vitivinícola brasileira que, em sua maioria, desenvolve um trabalho sério e comprometido com a qualidade e com sua própria sustentabilidade econômica e social.O Ibravin desenvolve uma série de projetos em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com a Embrapa Uva e Vinho dentre outros parceiros para disseminação das Boas Práticas Agrícolas (BPA), Boas Práticas Enológicas (BPE) e Análise de Perigos e Pontos Críticos e de Controle (APPCC). Estas são ferramentas integrantes do Programa Alimento Seguro – PAS Uva para Processamento, lançado nacionalmente em setembro de 2013, com foco na garantia de qualidade na produção, e na entrega ao consumidor, de vinhos e derivados da uva livres de contaminações físicas, químicas ou biológicas.


Este ano também foi encaminhado projeto ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, por meio do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), para atualização tecnológica do Laboratório de Referência Enológica (Laren) para ampliação e controle da qualidade de produtos enológicos comercializados no Brasil. O projeto, que pleiteia R$ 5 milhões, foi pré-aprovado pelos órgãos mencionados e está em fase final de avaliação para liberação dos recursos.

O setor produtivo da uva e do vinho no Rio Grande do Sul envolve 15 mil propriedades vitícolas e 735 vinícolas com cadastro ativo. As informações são dos Cadastros Vitícola e Vinícola, ferramentas de monitoramento da produção da uva e do Vinho mantidas pelo Ibravin em parceria com a Embrapa Uva e Vinho, com a Secretaria Estadual de Agricultura (Seapa/RS) e com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Nenhum comentário:

Postar um comentário