segunda-feira, 5 de maio de 2014

Los Cerros de San Juan, a mais antiga vinícola do Uruguai, guarda tesouros engarrafados

> A vinícola de agora tal como era antigamente,
com tanques de cimento [detalhe na foto abaixo]
É como entrar em um túnel do tempo percorrer a estrada de 5 Km, boa parte dela uma espécie de corredor verde, que leva até a Bodega Los Cerros de San Juan, em Colônia do Sacramento, na Costa Oeste do Uruguai, a apenas 50 Km de Buenos Aires. A viagem ao passado remete há 160 anos, quando a Família Lahusen, que veio da Alemanha, instalou-se na região, alvo de disputa permanente entre portugueses e espanhóis.

A mais antiga vinícola do Uruguai preserva a sua história. Os tanques ainda são de cimento, uma característica das vinícolas uruguaias mais tradicionais, só com revestimento epóxi. 

Em meio à natureza típica da região, o prédio da vinícola, encravado metros abaixo da terra, em estilo colonial erguido em 1869, é um Monumento Histórico do Uruguai. Com três andares, paredes em curva, tem capacidade para abrigar até 500 mil garrafas numa temperatura média de 15°C. Algumas madeiras do prédio têm mais de 120 anos. São 140 tonéis ao todo. Muitos feitos com madeira vinda da Selva Negra na Alemanha e montada por um tanoeiro uruguaio, que também armava barricas com material vindo dos Estados Unidos e da França.

> Prédio da antiga vinícola, que hoje guarda os barris de carvalho e cimento, foi erguido em 1869
O mais impressionante desta vinícola centenária está no subsolo. Um inédito sistema de refrigeração dos vinhos foi construído de forma artesanal. Os imigrantes alemães cavaram um porão debaixo da vinícola para armazenar água da chuva, principalmente no inverno. Neste lugar, foram instalados canos de bronze por onde passava o vinho na época da vindima, garantindo a sua qualidade. As bombas eram ativadas por pedais. “Este teria sido o primeiro sistema de controle de temperatura de fermentação da história do vinho. Há outros parecidos na Itália e na Alemanha”, diz o enólogo Pablo Bieito. “Foi uma revolução para a época”, emenda o atual gerente da vinícola, Federico Caballero.

> Vinícola é um Monumento Histórico do Uruguai
A Bodega Los Cerros de San Juan está acantonada em um povoado, que chegou a ter 1.000 moradores. Atualmente, os residentes são, em sua maioria, colaboradores da vinícola. Há uma padaria em plena atividade e o antigo armazém, totalmente preservado, serve para degustações aos visitantes e também como restaurante. É um espaço incrível que combina com a regressão dois séculos atrás.

O grupo empresarial argentino Cardón, que hoje comanda a tradicional vinícola, tem planos ousados para o local. A ideia é investir cada vez mais no enoturismo, por meio de um projeto imobiliário ligado à produção vitivinícola. Caballero conta que a intenção é ter um hotel com um spa temático. Um museu deve abrigar toda a história da estância e da vinícola. “Somos administradores temporários, não donos definitivos desta história, que merece ser conhecida por todos”, costuma dizer o empresário Gabo Nazar, presidente da Cardón.

> Linha Lauhsen traz vinhos frescos e aromáticos.
Nome é uma homenagem à família fundadora da
vinícola
> Pinot Noir Viejo 2002
Fiéis a sua origem, a família Lauhsen cultivou uvas de paladar germânico, como Riesling, Gewürztraminer e Pinot Noir. Mas o terroir mostrou-se especialmente propício para o bom desenvolvimento da Cabernet Sauvignon. Dos 221 hectares da propriedade, 46 ha abrigam vinhedos próprios. O novo projeto prevê a implantação de outros 15 ha.

A linha Lauhsen tem vinhos frescos e aromáticos das variedades Riesling, Sauvignon Blanc, Gewürztraminer e Spätburgunder (Pinot Noir), este rosé. Há ainda um Chardonnay barricado. A Cuna de Piedra é a principal linha de vinhos, com pequena produção (5 a 10 mil garrafas). O Tannat Maderos Gran Reserva 2009 é incrível.

Há ainda um Pinot Noir Viejo, da safra 2002, admirável pela vivacidade e evolução. É um verdadeiro tesouro engarrafado. Permaneceu durante 10 anos em barricas francesas. A edição foi limitada em 3.600 garrafas. Em regime de pré-lançamento, o ícone da vinícola, um Pentavarietal, traz as cinco uvas tintas cultivas na vinícola: Cabernet Sauvignon (30%), Merlot (30%), Tannat (30%), Tempranillo (5%), Pinot Noir (5%). São só 1.000 garrafas da safra 2011. Passa 18 meses por barrica francesa e custará parcos US$ 50. 


> Enólogo Pablo Bieito (à direita) e o gerente da vinícola, Federico Caballero
> Grandes cubas de cimento servem hoje para armazenar vinhos
> Acima as barricas de carvalho usadas hoje e abaixo os tonéis de antigamente
> Muitos tonéis foram feitos com madeira da Selva Negra da Alemanha


> Cabernet Sauvingon 1994 que não foi exportado para a Alemanha

> Primeiro lote de vinhos, de 1891, ainda está preservado e em produção

> Maderos 2000, uma safra inesquecível

> As garrafas que ainda restaram da exportação não realizada para a Alemanha

> Cave ondulada ajuda a manter a temperatura ideal para os vinhos

> Cuna de Piedra é a principal linha de vinhos de Los Cerros de San Juan

3 comentários:

  1. Ótimo texto e fotos bem ilustrativas. Para complementar e dentro do espírito "de guarda" colocaria informações sobre opções de transporte, horários, necessidade de reserva e tempo estimado para a visita.

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  2. Ótimo texto e fotos bem ilustrativas. Para complementar e dentro do espírito "de guarda" colocaria informações sobre opções de transporte, horários, necessidade de reserva e tempo estimado para a visita. 2 (tambem fiquei curiosa. Vou a Colônia em setembro e quero conhecer.) Obrigada!

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