quinta-feira, 1 de maio de 2014

Bodega Alto de la Ballena elabora o melhor Syrah do Uruguai

> Parte dos vinhedos da Bodega Alto de la Ballena situados entre a Laguna del Sauce (à esquerda), o Cerro Pão de Açúcar (em frente) e a Serra de las Ánimas (direita) podem ser vistos do alto de uma colina
Há pouco mais de uma década, nasceu uma nova região vitivinícola uruguaia, curiosamente ao lado do mais luxuoso balneário da América Latina – Punta del Este. O surgimento não foi por acaso. Na década de 90, o expert espanhol Dr. Luis Hidalgo publicou um mapa recomendando as colinas da região como aptas a produzir vinhos de qualidade. 

Os pioneiros foram o casal Paula Pivel e Álvaro Lorenzo, que compraram 20 hectares na Serra de la Ballena. Eles plantaram os primeiros vinhedos em 2001, colheram a safra inaugural em 2005 e lançaram seus vinhos em 2007. Parte dos 8,5 hectares de vinhedos da Bodega Alto de la Ballena situados entre a Laguna del Sauce (à esquerda), o Cerro Pão de Açúcar (em frente) e a Serra de las Ánimas (direita) podem ser vistos do alto de uma colina, em um terraço de madeira coberto, onde os visitantes são recebidos para degustação de vinhos com queijos (ao preço de 25 dólares). 

> Paula largou carreira em um banco para se dedicar
à elaboração de vinhos na Serra de la Ballena
“A nossa proposta é dar um atendimento muito personalizado a todos que nos procuram. Aqui é possível desfrutar a paisagem e os vinhos com tranquilidade”, diz Paula, que até 2003 trabalhava em um banco em Montevidéu. Seu marido veio do setor logístico. A paixão pelo vinho e o desejo de viver mais próximo à natureza os levou até a Serra de la Ballena. O terroir propício ao cultivo de uvas de alta gama e a proximidade com o turismo de Punta os atraiu para a região, cuja origem do solo remonta 550 milhões de anos. 

As sólidas rochas existentes no lugar tiveram de ser removidas com retroescavadeiras poderosas. À medida que eram quebradas, a riqueza emergia, com a aparição de granito, quartzo, calcário etc. A drenagem do solo impressiona. É uma terra muito rica e diversa. As pedras têm cantos arredondados, o que indica que o mar chegou até aqui no passado, conta Paula, que acabou se formando em enologia em 2003, dois anos antes da primeira safra. A consultoria é do enólogo Duncan Killiner, de Mendoza, com larga experiência na Nova Zelândia, que presta serviços a muitas vinícolas da Argentina e também do Uruguai. Graças aos turistas, temos hoje consumo de vinhos de qualidade em Punta. Até os argentinos estão abertos a provar nossos vinhos, especialmente os brancos, mais raros em seu país, aponta.

> Vinhedos sofrem influência do clima marítimo
No início, Álvaro e Paula sonhavam em fazer o melhor Merlot do Uruguai. As condições climáticas, com a dose certa de umidade vinda do mar, aliada à brisa marinha intermitente, motivaram a lembrança com Bordeaux. Bom para a Merlot e para a Cabernet Franc. Outra analogia interessante foi feita pelo conhecido chef francês Pascal Barbot, do três estrelas L'Astrance, que fez um paralelo entre o terroir da Alto de la Bellena com o Vale do Rhône, na França, pois ambas têm encostas íngremes, influência marítima e solo pedregoso.

Um dos motivos foi a prova de um rótulo único no Uruguai, inspirado no Côte-Rôtie, com Tannat (ao invés de Syrah, no caso francês) e Viognier (10%). A primeira safra deste inusitado vinho, de 2006, teve suas 800 garrafas esgotadas rapidamente. Isso levou a elaboração de 15 mil garrafas em 2013. 
É um corte insólito, que chama a atenção dos consumidores, observa Paula. Mas os maiores destaques são mesmo os três vinhos varietais – Cabernet Franc, Merlot e Syrah. 

Com um espaço projetado para o enoturismo, o número de visitantes ainda é pequeno, mas crescente. Cerca de 1,2 mil turistas vão até a Alto de la Bellena todos os anos – a maioria (85%) brasileiros. No verão recebemos europeus e americanos vindos de cruzeiros e sobretudo paulistas em veraneio em Punta. Vivemos do boca a boca, de divulgação na internet e de algumas indicações de agências, informa Paula. Ainda temos muito a crescer, mas vamos sempre manter este atendimento personalizado, garante. 


> Rótulos degustados e aprovados: destaque para o Syrah e o rosé de Tannat e Viognier; Merlot e Cabernet Franc também chamam a atenção

 
> Paula Pivel observa os vinhedos de Syrah protegidos contra a ação dos pássaros

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