sábado, 22 de fevereiro de 2014

Moscato Branco, uma joia rara da vitivinicultura brasileira

> Boursiquot (de boné e óculos, no centro da foto)
analisando a variedade Moscato Branco em Farroupilha
O francês Jean-Michel Boursiquot, que redescobriu a variedade Carmenère no Chile, já pode se orgulhar de outra façanha. Ele acaba de confirmar que a uva Moscato Branco é uma exclusividade brasileira, cultivada comercialmente apenas aqui. Presente na Serra Gaúcha desde os anos 1930, a Moscato Branco é encontrada especialmente na região de Farroupilha (RS), que responde por aproximadamente 50% do volume de produção da casta no país. É uma joia rara da vitivinicultura brasileira.

A Vinícola Perini é a grande especialista na elaboração de vinhos e espumantes com a variedade. Nos últimos quatro anos (de 2009 a 2012), a empresa sempre teve uma amostra de Moscato como vencedora da categoria Branco Fino Seco Aromático da Avaliação Nacional de Vinhos. A Vinícola Basso é outra que elabora vinhos e espumantes com o frescor e os aromas característicos desta uva, agora já emblemática para a Serra Gaúcha e o Brasil.

> Na Vinícola Perini, a Moscato vira
vinhos e espumantes premiados
O reconhecimento obtido pelo ampelógrafo (cientista que identifica e classifica as cultivares de videira) Jean-Michel Boursiquot confirma a suspeita existente sobre a raridade e a singularidade da Moscato Branco no Brasil. Ele veio da Universidade SupAgro, de Montpellier, na França, de 27 a 31 de janeiro, para estudar a variedade in loco na Serra Gaúcha.

A hipótese da originalidade surgiu a partir da observação antiga de que a Moscato Branco cultivada em terras brasileiras se distinguia das uvas moscatéis cultivadas na Europa. Os primeiros resultados indicam que a suspeita é verdadeira, e que a variedade seja realmente exclusiva. 

A experiência de Boursiquot, conjugada ao trabalho dos pesquisadores da Embrapa Uva e Vinho, tornou possível a comparação, sem encontrar um par idêntico entre amostras da Moscato Branco cultivada no Brasil e de uvas Moscato existentes em amplas coleções dos bancos genéticos de uva brasileiro e francês!

Os estudos seguem, buscando-se mapear a origem e estabelecer a paternidade dessa cultivar, com a expectativa de que, em breve, possa-se conhecer que tipo de uva, afinal, ela é.

> Cacho de uva Moscato Branco
 Com o avanço do projeto de desenvolvimento da Indicação de Procedência (IP) Farroupilha, para vinhos finos moscatéis, iniciado em 2009, cresceu o interesse sobre a Moscato Branco cultivada no município. Ela é utilizada na elaboração de vinhos secos finos moscatéis e do moscatel espumante – um sucesso da vitivinicultura brasileira – entre outros.

Em 2012, a Embrapa Uva e Vinho aprovou uma ação de pesquisa específica para aprofundar a caracterização genética e molecular da uva. Agora, após o aval de Boursiquot, o pedido de registro deve ser encaminhado ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) ainda neste primeiro semestre.

 “A confirmação da hipótese certamente ampliará o interesse pelos vinhos moscatéis elaborados em Farroupilha, fortalecendo os conceitos de tipicidade e qualidade associados a essa origem, que são os elementos de base no processo de desenvolvimento da IP”, analisa o coordenador do conselho técnico da Afavin, João Carlos Taffarel.

Com informações da Afavin e da Embrapa Uva e Vinho.

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