segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Doenças do lenho são a nova filoxera da viticultura mundial

> O corte transversal do tronco ou do ramo atacado 
mostra uma zona necrosada em forma de cunha ou
triangular cuja madeira morta é acastanhada,
dura e quebradiça 
As doenças do lenho são a nova filoxera da videira. A tese é do pesquisador australiano Richard Smart, conhecido como o “guru da viticultura mundial”. O seu alerta foi disseminado na Serra Gaúcha pela pesquisadora portuguesa Maria Cecilia Rego, especialista de reputação mundial em tais doenças, que palestrou na semana passada (dia 23 de janeiro) na Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves (RS).

A filoxera foi uma praga que, no final do século 19, dizimou vinhedos na Europa. “Hoje, quem ocupa a posição de inimigo maior dos produtores de uva na atualidade, em todo o mundo, em uma dimensão alarmante, são as doenças do lenho da videira (conjunto de moléstias que inclui a podridão-descendente, o ‘pé-preto’ e o ‘chocolate’, entre outras)”, disse a pesquisadora portuguesa. Mais de cem pessoas, entre agrônomos, técnicos agrícolas e enólogos, assistiram à apresentação de Maria Cecilia.

A origem das doenças do lenho está no significativo aumento das áreas de cultivo de parreirais, ou de sua renovação, observado em escala crescente nas últimas décadas. “A demanda provocou um grande aumento na produção de mudas, feita ‘às pressas’, sem os devidos cuidados, de modo que plantas não-sadias foram difundidas pelo mundo inteiro”, explica Maria Cecilia.

> Maria Cecilia fez palestra em Bento Gonçalves
A pesquisadora recomenda que o caminho para enfrentar o problema representado por estas doenças é a adoção de uma série de práticas preventivas, como o arranquio e a queima de restos culturais e de plantas doentes, a utilização de material vegetativo (mudas e porta-enxertos) de boa procedência e qualidade sanitária e a proteção, com pastas fúngicas, dos ferimentos eventualmente causados durante a poda. Agentes biológicos, como o trichoderma, para a proteção de lesões na videira, também devem ser utilizados.

Com informações da Embrapa Uva e Vinho.

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