domingo, 15 de dezembro de 2013

Petronius: a rede líquida da família Kunz

Schatz Blond, elaborada com maltes
importados da Bélgica, tem uma taça
exclusiva própria para degustá-la
Imagine que as ideias tenham vida própria. Imagine que haja, além de condições favoráveis, ambientes que conduzam a níveis incomuns de criatividade. Eis que surge uma hipótese fascinante e recente: locais que alimentam o surgimento de ideias se parecem mais com tavernas do que com laboratórios. A Petronius Cervejaria & Destilaria já sabia.

Está no código genético da marca e da família Kunz. A Petronius é a ideia de uma dinastia de produtores de bebidas que há mais de um século plantou sua raiz no Brasil. Para entender como essa ideia viajou no tempo e no espaço desde o milênio anterior até chegar a uma propriedade restaurada com toques de arte em 2013, é preciso que você tenha em mente uma estrada.

Tome uma estrada no sentido literal: por onde a Serra beija o Vale, no interior do Rio Grande do Sul. Por onde o tráfego das ideias em lombo de gente, tão intenso em meados de 1870, fez surgir em ambiente inóspito uma das regiões mais prósperas do continente. Pela estrada de São Valentin da 2a Légua, torrentes de iniciativa fluíram montanha acima desde as cálidas margens do rio Caí para criar o dínamo econômico de Caxias do Sul.

A nova casa da Petronius em São Valentin, ainda em reforma

Atrás da casa acima, uma das primeiras casas de Caxias do Sul, ao estilo enxaimel, que está sendo recuperada pelos Kunz 
Um desenvolvimento tão feroz, que deixou raros vestígios da própria origem. Um deles despertou em Emílio Kunz Neto a ideia de resgatar com os filhos, Júlio César e Augusto, um projeto iniciado há mais de seis décadas pelo avô, seu homônimo. O vestígio em questão é uma casa. A mais antiga ainda preservada em todo o perímetro de Caxias do Sul, na velha e estranhamente inspiradora estrada de São Valentin. A nova casa da Petronius.

Emílio Kunz, o avô, criara a marca para timbrar vinhos e vermutes na década de 1930, quando trocou Novo Hamburgo por Gramado. Após lançar a Petronius, ainda criou a Indústria de Bebidas Farroupilha e atuou como consultor da Cooperativa São Pedro, em Flores da Cunha. Cidade, a propósito, da qual o filho Eloy viria a se tornar uma espécie de patrimônio público, anos mais tarde, com uma revolução no turismo, na indústria e na própria identidade cultural do município.


Emílio Kunz Neto e seus dois filhos, Augusto e
Júlio César, resgatam a história de seis gerações
de produtores de bebidas no Brasil
Da mesma forma que em dado momento um assombro de iniciativa percorreu aquela estrada que daria à luz Caxias do Sul, a ideia da Petronius evoluiu pelas fibras de criatividade da família Kunz. Que tenham se encontrado agora na mais antiga casa de uma cidade de meio milhão de habitantes não é obra do acaso. A ciência explica em duas palavras: ambiente favorável.

Na Universidade de Toronto, o professor Kevin Dunbar observou que a grande maioria dos conceitos inovadores elaborados pelos colegas originava-se em reuniões, quando as informações eram compartilhadas. A constatação ganhou popularidade mundial graças a Steven Johnson. Para ele, uma ideia é uma rede, dotada da mesma natureza que as sinapses do cérebro: funciona a partir de conexões.

Pense nisso quando estiver diante da próxima taça do fermentado de cevada e lúpulo em água puríssima de vertente, na temperatura ideal e com dois dedos de colarinho. A nova cerveja Schatz resgata o nome que era de uma antiga marca de vinho da família Kunz. Por que, afinal, a Petronius é mais que uma cervejaria, é mais que uma destilaria. É destino.

Colaborou Gabriel de Aguiar Izidoro | .DOC Assessoria de Comunicação

Em tempo:
 Esta matéria foi publicada originalmente na Revista Bá, edição de dezembro.

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