sábado, 12 de outubro de 2013

Esperteza da Miolo causa constrangimento na Avaliação Nacional de Vinhos

> Miolo divulgou que teve 3 amostras
entre as 16 melhores da safra 2013.
ABE corrigiu a empresa em
comunicado a jornalistas
Todos sabem que a regra geral da Avaliação Nacional de Vinhos, realizada há 21 anos pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), é nunca repetir uma vinícola entre as 16 amostras selecionadas entre as melhores da safra. Uma empresa, no entanto, usa uma artimanha para concorrer em vantagem perante as demais vinícolas brasileiras.

A Miolo Wine Group (MWG) separa os CNPJs de suas empresas associadas e, assim, entra na Avaliação Nacional de Vinhos com quatro chances a mais do que as demais empresas. É justo e legal, registre-se, que a MWG separe suas amostras entre as empresas Almadén, Bellavista Estate, Rasip, Seival Estate e ainda somente a Vinícola Miolo. Mas que é uma esperteza, isso é.

O resultado desta “prática esperta” é que a Miolo divulgou, por meio de sua assessoria de imprensa, ter tido três amostras selecionadas entre as 16 melhores da safra 2013. A “informação” teve de ser prontamente desmentida pela ABE, que enviou a vários jornalistas o seguinte esclarecimento: “Da Vinícola Miolo apenas um vinho foi classificado entre as 16 amostras. Conforme regulamento, somente uma amostra por empresa registrada poderá ser apresentada ao público. Sendo assim, as outras 2 amostras são da Rasip Agropastoril S/A e Bueno Bellavista Estate”. A correção, em boa hora, veio assinada pelo presidente da ABE, o enólogo Luciano Vian.

Aí está o busílis. Nada impediria a esperteza da Miolo em registrar as suas amostras por meio de CNPJs diferentes. O problema é, depois de auferido o resultado, juntar todas as empresas e aí trabalhar a imagem de uma só, no caso a Miolo. O título do release distribuído pela assessoria de imprensa falava somente em Miolo. Veja: “Miolo é destaque na 21ª Avaliação Nacional de Vinhos 2013”.

A situação incomoda as demais vinícolas brasileiras há alguns anos. Mas esta é a primeira vez que a ABE faz uma correção pública direcionada aos jornalistas. A Miolo não precisa disso para reafirmar a qualidade com que trabalha. A prática escancara, inclusive, algo que a Miolo não é: uma empresa individualista que age isolada do setor.

Miolo Wine Group (MWG) separa os CNPJs de suas empresas associadas e, assim, entra na Avaliação Nacional de Vinhos com quatro chances a mais do que as demais empresas

Cabe à ABE, a partir de agora, impedir esta esperteza da Miolo.

Caso contrário, em breve, outras empesas poderão dividir seus CNPJs e inscrever suas amostras conforme os terroirs onde atuam. A Salton poderia fazer isso, com seus vinhos da Campanha e da Serra Gaúcha. A Casa Valduga poderia inscrever vinhos de três regiões diferentes. A Aurora também. Só para citar algumas empresas. Imagine como seria se isso ocorresse... Pelo poderio econômico e competência empresarial, correríamos o risco de ter 16 amostras de apenas 4 ou 5 grandes empresas repartidas entre vários CNPJs!

Se a Miolo tivesse tido só um vinho classificado - como as demais empresas - haveria oportunidade para duas outras vinícolas aparecerem entre as top 16. Poderíamos ter surpresas como da Vinícola Monte Rosário, alçada ao conhecimento do Brasil a partir da imensa visibilidade que a Avaliação Nacional de Vinhos dá.

Como já disse Wal Águia Esteve, “a maior esperteza de um homem é sempre agir com a verdade”. Não haveria problema se a Miolo Wine Group separasse seus terroirs e empresas se, após o resultado, não tentasse capitalizar isso para uma só marca. Seria uma esperteza menor. Como é hoje, é simplesmente inaceitável e injusto com as demais vinícolas brasileiras. Tancredo Neves já avisou: “Esperteza, quando é muita, come o dono”.

6 comentários:

  1. Essas avaliações são estranhas, sou bebedor de vinho há um bom tempo, gosto de alguns rótulos nacionais, mas nunca apreciei nenhum da miolo e não foi por falta de tentativas, bebi algumas vezes rótulos como Merlot terroir, lote 43 entre outros e sempre achei uma m.................... isso mesmo...

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  2. Para mim o melhor vinho da Miolo continua ser o Quintas do Seival.....o resto são medianos.

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  3. Mais do que esperteza, acho que a Miolo esta com três vinhos entre os 16 principais por ser a melhor vinícola nacional, e como diz o nome, a AVALIAÇÃO NACIONAL DE VINHOS serve para avaliar os melhor vinhos produzidos no país neste ano. Então que culpa a MWG tem de ter produtos de excelência?
    Daqui apouco iras por um post questionando o porque da MWG ser detentora da maior parte das D.O. do Vale dos Vinhedos hoje ela tem 5 vinhos e espumantes com o selo, mas eu te respondo, ela possui este reconhecimento por sua qualidade.

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  4. Com todo o respeito, achei o texto um pouco agressivo. Não vejo nenhum problema em inscrever amostras da almadén, por exemplo, que até anos atrás, inclusive nem fazia parte do grupo Miolo.
    A nota da assessoria de imprensa que foi um pouco forçada e até mesmo faltou com a verdade, mas foi só.

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  5. Axel Novo da Cunha, obrigado pelo comentário. Em nenhum momento eu coloquei em dúvida a qualidade das amostras selecionadas. Muito pelo contrário. Sou fã confesso de muitos rótulos da Miolo, empresa da qual sou cliente e admirador há muitos anos. Acho, inclusive, que o enólogo Adriano Miolo é um dos grandes profissionais do Brasil, responsável por uma verdadeira revolução de qualidade no vinho brasileiro. Um grande abraço!

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  6. Agradeço o teu comentário, Leonardo Beal. Não foi a minha intenção ser agressivo. Meu texto que é direto e incisivo por estilo próprio. Minha intenção foi levantar o debate sobre o assunto. Acho que está mais do que na hora de avaliar este tema. Um grande abraço e obrigado pela contribuição!

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