domingo, 25 de agosto de 2013

A ousadia de Petrus Elesbão e da sua Vinum Brasilis

> O incansável Petrus Elesbão
A tradição brasileira tornou regra a realização de homenagens somente após a morte das pessoas. Uma pena. Afinal, o reconhecimento deveria vir sempre em vida. No caso do vinho brasileiro, algumas pessoas já estão em tempo de serem homenageadas. O Ibravin não tem este costume. Deveria. A exceção é a Associação Brasileira de Enologia (ABE), que, todos os anos, durante a Avaliação Nacional de Vinhos, entrega o Troféu Vitis, que premia o destaque enológico do ano e o amigo do vinho brasileiro. Há muitos nomes merecedores deste troféu. Um deles é o jornalista Danilo Ucha, seguramente um dos primeiros profissionais de comunicação que falou sobre os vinhos elaborados no Rio Grande do Sul. E faz isso há mais de 40 anos, senão mais.

Outro é o enófilo Petrus Elesbão, que organiza eventos com vinhos brasileiros há nove anos em Brasília. Tudo começou em 2005, quando Petrus e os amigos Renzo Viggiano e Wesley Brito, companheiros da Confraria Amicus Vinum, decidiram convidar duas vinícolas para uma degustação que recebeu cerca de 100 pessoas. Com o sucesso do evento, Petrus repetiu a dose no ano seguinte e assim sucessivamente. Há seis anos a feira tem o nome de Vinum Brasilis e há apenas três conta com apoio oficial do Ibravin.

Aliás, o evento é tão importante que o Ibravin coloca a feira no calendário oficial do Circuito Brasileiro de Degustação, realizado nas principais capitais do país. Petrus consegue algo incrível, atrair mais vinícolas brasileiras do que o próprio Ibravin para o seu evento, que acontece paralelamente ao 25º Congresso Nacional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes. 

> Público recorde: mais de 2,2 mil pessoas passaram pela feira em dois dias
> Weber Haus: cachaça de R$ 1 mil
Nos dias 14 e 15 de agosto, a VI Vinum Brasilis recebeu 40 vinícolas nacionais das principais regiões produtoras – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Vale do São Francisco e até de Minas Gerais. Nos dois dias de feira, na Faculdade de Gastronomia do Instituto de Educação Superior de Brasília, 2,2 mil pessoas passaram pelo evento e as vendas de vinhos e espumantes – a novidade bem-vinda deste ano – somaram cerca de 800 garrafas e R$ 60 mil. “Além de darmos visibilidade ao vinho brasileiro, conseguimos ajudar as empresas a fecharem negócios”, comemora o incansável Petrus, que, não raro, tira dinheiro do próprio bolso para realizar o evento.
> Energético orgânico fez sucesso na feira

Nos últimos anos, de forma pioneira, o Petrus aluga diversas vans e promove o chamado “Transporte Amigo”, um serviço de traslado gratuito oferecido na saída do evento para garantir segurança aos participantes da Vinum Brasilis. Seguindo sua característica de apoio à produção brasileira, a Vinum Brasilis teve duas estreias nesta sua sexta edição – a presença do Organique, o primeiro energético orgânico do país, elaborado com açaí, guaraná e erva-mate; e da Weber Haus, a cachaçaria brasileira mais premiada no mundo.

Entre os mais de 350 vinhos e espumantes expostos na feira, chamou a atenção, como em anos anteriores, o espaço do blog Decantando a Vida, da dupla Eugênio Oliveira e Antônio Coelho, que exibiu rótulos de produtores brasileiros orgânicos ou de garagem, como Era dos Ventos, Domínio Vicari, Villa Bari, Pedras Altas, Arte da Vinha, Quinta da Figueira, Elephant Rouge, Valmarino Churchill e Estrelas do Brasil.

> Eugênio Oliveira, Sônia Denicol e Antonio Coêlho
no estande do Decantando a Vida
Inquieto por natureza, Petrus ainda provocou a escalação da primeira Seleção Brasileira de Vinhos de Brasília. O time de 11 rótulos escolhido por 14 renomados sommeliers e formadores de opinião de Brasília elegeu dois vinhos brancos, três espumantes e, a maioria, seis vinhos tintos, que foram convocados a partir da degustação às cegas de 73 produtos (26 espumantes, 22 vinhos brancos e 25 tintos) de 29 vinícolas nacionais.


Os rótulos escolhidos foram os seguintes: os vinhos brancos Aracuri Chardonnay 2011 e Sanjo Chardonnay 2010; os espumantes Antonio Dias Brut, Perini Champenoise e Gran Legado Espumante Brut; e os vinhos tintos Don Guerino Teroldego 2007, Maximo Boschi Merlot 2004, Rio Sol Vinha Maria Touriga 2009, Luiz Argenta Shiraz 2012, Kranz Cabernet Sauvignon 2010 e Pizzato DNA’99 2008.

> O time de 11 rótulos da Seleção Brasileira de Vinhos de Brasília
Graças a tudo isso, a capital federal tem sido a capital do vinho brasileiro no mês de agosto. A insistência de Petrus fez o restaurante Dom Francisco ter, hoje, a maior carta de vinhos brasileiros do país, com quase 90 rótulos, superando o Aprazível, no Rio, que tem em torno de 70 rótulos brazucas.

Enfim, o Petrus merece ou não uma grande homenagem dos vinhos brasileiros? 

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