quinta-feira, 9 de maio de 2013

Uma vinícola de mulheres no Pampa Gaúcho

> As três mulheres: a matriarca Hortência Ravache Brandão Ayub (C) com as filhas Manuela (E) e Vanessa (D)

Uma vinícola de mulheres na aridez do Pampa Gaúcho, dominado por homens a cavalo. É assim que ficou conhecida a butique de vinhos Campos de Cima, de Itaqui, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Tudo começou em 1975 com o casamento da carioca Hortência Ravache Brandão Ayub, 60 anos, com o médico e produtor rural José Silva Ayub, 61 anos. Com a vinda para o Sul, Hortência adquiriu como hábito o consumo de vinho. Mais tarde, por volta dos anos 2000, a paixão pelo vinho virou negócio, com a implantação de 15 hectares de vinhedos na propriedade de 1000 hectares da família em Maçambará, a 100 Km de Itaqui, entre São Borja e Uruguaiana. 

Criadores de gado e cordeiros, além de plantadores de arroz, o casal Ayub buscou a diversificação produtiva no vinho, tão presente nos últimos anos na Campanha Gaúcha, que já conta com 16 empreendimentos vitivinícolas. A escolha pela elaboração de vinhos e espumantes ocorreu – além da paixão e do glamour intrínsecos ao meio – por uma busca a uma atividade que envolvesse as mulheres da família e, especialmente, as esposas dos colaboradores da fazenda Campos de Cima, uma propriedade com mais de 150 anos de história. “Tínhamos mão de obra excedente que desejava ocupação. Então pensamos que as mulheres dos nossos peões poderiam ser muito úteis no cuidado do vinhedo, na colheita das uvas e na elaboração dos vinhos e espumantes”, recorda Hortência.
> Cordeiros em meio ao vinhedo: uma imagem típica
da nova Campanha Gaúcha

A delicadeza e o cuidado das mulheres com as uvas têm feito toda a diferença na Campos de Cima. Seus espumantes Brut e Extra Brut das uvas Pinot Noir e Chardonnay são comparados a bons champagnes. Sem exagero, pois apresentam a complexidade, os aromas e o sabor dos melhores rótulos da região francesa mais famosa do mundo. Com um diferencial: são frutados como só as borbulhas brasileiras conseguem ser. “Acho que a predominância de mulheres na nossa vinícola imprimiu um estilo elegante e afetuoso aos nossos rótulos”, observa Hortência. Na colheita, quando até 25 pessoas trabalham no vinhedo, a metade são mulheres. No escritório, 100% da força produtiva é do sexo feminino.

> Manuela, arquiteta, é quem projetou a moderna vinícola
As duas filhas do casal Ayub – Manuela (33) e Vanessa (36) – também estão diretamente envolvidas no negócio. Assim como Hortência, elas criaram o hábito de apreciar vinhos aos poucos e, quando se deram por conta, estavam apaixonadas. A vinícola essencialmente familiar ainda conta com o empenho dos genros, Pedro e Alexandre, que cuidam da parte administrativa e comercial.

Arquiteta, Manuela projetou a nova vinícola da Campos de Cima, um moderno prédio construído em uma área de 1.161 metros quadrados, que recebeu investimento de R$ 1 milhão. A inauguração está prevista para o final deste ano. “A vinícola é a transformação de um sonho em realidade”, diz Hortência, que procura imprimir uma filosofia purista na Campos de Cima, ou seja, expressar o terroir sem interferência enológica. “Para nós, uma boa uva somada à experiência de um bom enólogo é que origina o vinho”, ensina. “Elaboramos vinhos para o dia a dia, com bom custo-benefício, produzidos a partir de uvas próprias em pequena quantidade, criteriosamente selecionadas, tendo em vista a extrema qualidade”, ressalta Hortência. Os Tannats das safras 2006, 2008 e 2011 são seus melhores exemplares.

> Vanessa, advogada, cuida da parte
administrativa da vinícola

Na Campanha Gaúcha, principalmente na Campos de Cima, o terroir típico da região somado ao cuidado feminino com as uvas gera vinhos jovens, com mais fruta, cor e estrutura. Como as mulheres dos pampas – belas e fortes.

Saiba mais sobre a Campos de Cima

- Os vinhedos da Campos de Cima foram implantados de 2002 a 2004. A primeira safra foi em 2006, da uva Tannat, que gerou 5 mil garrafas de um vinho colocado no mercado em 2009.

- A Campos de Cima ainda cultiva outras 10 uvas (Ruby Cabernet, Chardonnay, Viognier, Pinot Noir, Merlot, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Shiraz, Malbec e Tempranillo), sendo que 1/3 são usadas para elaboração de vinhos próprios e o restante é vendida a produtores da Serra Gaúcha, como Casa Valduga e a Vinícola Geisse. 

- A venda é feita quase toda diretamente ao consumidor pelo site www.camposdecima.com.br

- Os preços dos vinhos e espumantes variam de R$ 18 a 36. Os principais compradores estão em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília.

> Na cave da nova vinícola em Itaqui, Vanessa, Manuela e Hortência se sentem em casa

3 comentários:

  1. gostaria de saber se já inauguraram a nova vinícola. uma vez, em erechim, enólogos da embrapa uva e vinho me disseram que campos de cima produziu, no itaqui, a melhor uva do brasil em 2011! isso é realmente muito bom. estimo muito êxito para esta empreitada da hortência. ela merece, bem como sua familia

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  2. Prezado Antônio. A vinícola está pronta, mas só será inaugura no final do ano. Ainda falta o entorno. O vinho Campos de Cima Tannat safra 2011 descansa nas novas caves da vinícola e deve ser lançado no final deste ano ou início do próximo. Abração! OAJ

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  3. FANTÁSTICO! RIO GRANDE É TUDO DE BOM E ESSE TRIO DE MISSES COM A COMPETÊNCIA ANUNCIADA, ENGRANDECE AS MULHERES, O RIO GRANDE E O BRASIL. PARABÉNS E MAIS SUCESSO A VOCÊS.

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