quinta-feira, 2 de maio de 2013

Perini Qu4tro desce redondo

> Cab Sauvignon, Merlot, Tannat e Ancelotta
Uma garrafa quadrada. Quatro variedades de uva. Edição limitada de 4 mil unidades. Este é o Perini Qu4tro, vinho ícone da Vinícola Perini, do Vale Trentino em Farroupilha (RS), que só é elaborado em safras especiais, com a colheita de uvas de alta qualidade. A terceira edição da história do Perini Qu4tro (a primeira foi em 2005, lançada em 2007; e a segunda em 2008, que chegou ao mercado em 2011), acaba de ser apresentada na Expovinis 2013, que ocorreu de 24 a 26 de abril no Expo Center Norte, em São Paulo. Desta vez, a consagração que o rótulo recebia nas taças dos consumidores veio dos especialistas do Top Ten, que elegeram o Perini Qu4tro o melhor tinto nacional da Serra Gaúcha. Nada mais justo. Afinal, a voz do povo é a voz de Deus, neste caso representado por 12 jurados experts em vinhos na competição mais esperada pelo mercado de vinho no Brasil.

Pelo custo-benefício, o Perini Qu4tro da safra 2008 sempre esteve na minha lista dos três melhores tintos brazucas. Tanto que ainda tenho três garrafas desta safra, já esgotada na vinícola. Nunca tive a chance de provar o 2005. A nova safra – de 2009 – tem tudo para superar a anterior. Mas, hoje, ainda fico com a 2008. A safra 2009 tem muito a evoluir e terei o prazer de verificar isso de tempo em tempo. Sou, portanto, suspeito para falar deste vinho.

Por isso, vou convocar três especialistas em vinhos para referendar a qualidade do Perini Qu4tro. A frase usada para qualificá-lo foi a mesma: “É o melhor vinho tinto brasileiro que tomei este ano”. Os autores: Ricardo Castilho (Prazeres da Mesa), Mário Teller Jr. (ABS-SP) e Arthur Azevedo (ABS-SP). Assim encerro o assunto “qualidade reconhecida” e passo a outros temas sobre o mesmo vinho.

> A safra 2008 do Perini Qu4tro tinha mais Tannat e Ancelotta na assemblage

Sempre tive um bom número de garrafas do Perini Qu4tro na minha adega para encarar desafios do tipo “não gosto de vinho brasileiro” ou “até há vinhos brasileiros bons, mas são muito caros, acima de R$ 100”. Quando deparava com estes comentários vindos de amigos, jornalistas e críticos, sacava a rolha e abria o Perini Qu4tro. Pra mim, sua grande virtude sempre foi a de ser um vinho complexo e, ao mesmo tempo, redondo! Sempre foi um rótulo seguro para enfrentar as plateias mais desconfiadas ante a qualidade dos vinhos tintos brasileiros. Nunca decepcionou.

O reconhecimento – quase tardio – a este rótulo é um acima de tudo uma justa consideração a uma família batalhadora, inovadora e corajosa. A Perini nasceu há 42 safras sob o manto das iniciais do avô do seu Benildo – João Perini (JP). Até hoje um dos vinhos de mesa mais emblemáticos do Rio Grande do Sul. Também confiável e seguro para seus consumidores. Pois a histórica família Perini tem se reinventado rapidamente, sem medo do futuro e sem esquecer o passado. A evolução tecnológica e qualitativa implementada nos últimos anos impressiona os olhos atentos e surpreende os desavisados. E é só o começo.

A originalidade da Perini está na aposta convicta pelo sistema de condução em “Y”, que virou até a logomarca da vinícola. Me parece um acerto. Ainda mais quando sinto o resultado na taça.

Na primeira vez que estive em Bordeaux, há três anos, a primeira coisa que me chamou atenção foi a altura das vinhas, que ficam a dois palmos do solo. As videiras nanicas, como chamei, são impossíveis de ser reproduzidas na Serra Gaúcha, onde a umidade arrasaria as uvas em pouco tempo. Óbvio então erguer as videiras a mais de um metro do chão e ainda proteger as uvas com uma boa massa foliar, características intrínsecas do sistema em “Y”.

É assim que nasce o quarteto de castas que formam o Perini Qu4tro – Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat e Ancellotta. Interessante saber a mudança no corte das uvas da safra 2008 para 2009. Dá pra sentir a diferença na taça, mas o entendimento só vem com a revelação dos percentuais. Na safra de 2008, a assemblage do Perini Qu4tro contou com 35% de Cabernet Sauvignon, 30% de Merlot, 20% de Tannat e 15% Ancellotta. Em 2009, o vinho que está disponível hoje tem 53% de Cabernet Sauvignon, 32% de Merlot, 6% de Tannat e 9% de Ancellotta.
> 4: símbolo máximo de um ícone

O terroir se encarrega de explicar as mudanças. O que não muda é a qualidade deste vinho, uma homenagem ao símbolo 4, que identifica o uso de 4 uvas, as 4 estações estações do ano, as 4 fases da lua, os 4 elementos, os 4 pontos cardeais e os 4 símbolos da matemática. Como diz o diretor-presidente da vinícola, Benildo Perini, “a harmonia do nosso terroir é capaz de gerar um vinho complexo e ao mesmo tempo elegante e equilibrado”. Com esta base, o Perini Qu4tro fica sempre em pé.

Nenhum comentário:

Postar um comentário