quarta-feira, 10 de abril de 2013

#cbe: Minha primeira vez na Confraria Brasileira de Enoblogs

> Rótulo da Caves Velhas (Grupo Enoport) é
uma viagem às melhores quintas de Portugal
Minha estreia na Confraria Brasileira de Enoblogs (CBE) não poderia ser em melhor estilo. Como o tema era Touriga Nacional (sugerido pelo Maykel Campos, do blog Vinho por 2), abri um rótulo da terrinha que admirava de longe e nunca tive coragem ($$$) de enfrentá-lo. Falo do Quinta São João Batista, 100% Touriga Nacional, elaborado apenas em anos de excepcional qualidade nos vinhedos do Tejo, em Portugal. Sorvi seus goles no sábado à noite, no dia e na hora devidamente apropriados para um vinho deste naipe. Fiquei sem palavras. Tanto que só quatro dias depois consegui juntar algumas letras para descrevê-lo. 

Intenso e pujante, duas palavras que estão em seu contrarrótulo, são atributos verdadeiros sobre este vinho, mesmo descontados todos os exageros – sem falar nos clichês – que costumam ser impressos nas costas das garrafas de bons e maus vinhos. Pela primeira vez fiquei com aquela sensação descrita pelo escritor Luis Fernando Veríssimo em uma crônica sobre vinhos. “É impossível transformar em palavras as qualidades ou defeitos de um vinho, ou as sensações que ele provoca, assim como é impossível, por exemplo, descrever um cheiro e um gosto.” Se o mestre das palavras diz isto, o que resta pra mim?

A exuberância deste vinho importado com exclusividade pela Domno do Brasil, da Famiglia Valduga, me deu prazer, claro, mas me deixou inquieto com a sua elegância e robustez. Diria um enochato que este vinho é “musculoso” e que “enche a boca” (sem sacanagem!). De fato, de fato.

Afora a potência, contudo, conferida certamente pela passagem de 12 meses por barricas de carvalho francês, este Touriga Nacional com 14% de álcool desce macio e permanece na boca por longos minutos. Tanto que deixei parte da garrafa para o próximo dia. Queria ver como ele se apresentaria horas depois. Estava ainda mais soberbo na noite seguinte. Ainda mais suculento, tanto que dava para mastigá-lo na boca.

O que mais me chamou a atenção, entretanto, foi a sua capacidade de me transportar para as quintas de Portugal. Fico inebriado com rótulos que têm este poder. Isso realmente não tem preço.

Por isso, é um vinho para grandes eventos, comemorações e ocasiões especiais, até porque custa R$ 300. É um vinho para ser aberto com os melhores amigos, aqueles que não têm pressa de ir embora. Não é um vinho para se jogar conversa fora. É um rótulo para apreciar com amigos e viajar com eles. Para Portugal ou para os melhores momentos de nossas vidas. É um vinho para dividir com amigos que falam pouco, que contemplam o silêncio.  

Luis Fernando Veríssimo tinha razão. “Tente descrever o sabor de uma amora. Além de amplas e vagas categorias, como 'doce'
, 'amargo', 'ácido', etc., não existem palavras para interpretar as impressões do paladar. Estamos condenados à imprecisão ou ao perigoso terreno das metáforas. Tudo é literatura. Mesmo assim, eu tentei. 

2 comentários:

  1. Belo post Orestes! Uma legítima Pauta de Guarda :)
    Seja bem vindo à nossa CBE.
    Um abraço
    Tiago Bulla
    universodosvinhos.com

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  2. Obrigado, Tiago. Grande abraço e saúde! OAJ

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