quinta-feira, 18 de abril de 2013

Malbec World Day: Tomero 2011 não é craque, mas joga um bolão

> Tomero Malbec 2011: o Mascherano da Vistalba,
cumpre sua função com competência e sobriedade
A uva Malbec é um símbolo tão forte para a Argentina como já foi Maradona ou é hoje Messi no futebol. Ela lembra o país do tango assim como o sol no centro da bandeira alvi-azul. Tanto que a uva ganhou um dia só seu para ser comemorado no mundo todo – é o Malbec World Day – o Dia Mundial do Malbec, cuja primeira edição foi celebrada em 17 de abril de 2011 com mais de 72 eventos em 45 cidades de 36 países. No ano passado, o número de evento dobrou, alcançando 68 cidades em 43 países ao redor do mundo. A expectativa é superar as 80 cidades e os 50 países este ano.

É a primeira vez que participo desta comemoração. Para este 17 de abril de 2013, saquei a rolha do Tomero Malbec, da Bodega Vistalba, importado com exclusividade pela Domno do Brasil. Paguei R$ 36 na Costi Bebidas da Zona Sul em Porto Alegre. É a mais nova safra (2011) deste vinho. E assim apresentou-se na taça: jovem, macio e elegante, sem a característica e enjoativa madeira de muitos malbecs portenhos. É um vinho justo (pra não cair no clichê do “vinho honesto”), que acompanhou minha noite de Copa Libertadores da América (São Paulo x Atlético Mineiro), combinando muito bem com um frugal cachorro-quente.

Dentro das similaridades usadas até aqui, a Bodega Vistalba é como se fosse a Casa Valduga da Argentina.  Ambas são vinícolas familiares, focadas em um público similar (classes A e B), com vocação enogastronômica. Assim como a Valduga, que tem um restaurante de primeira classe, o La Bourgogne da Vistalba já foi premiado como o melhor restaurante de vinícola do mundo. Outra semelhança recai sobre a reputação dos enólogos Carlos Pulenta, uma verdadeira personalidade do vinho argentino, e João Valduga, um dos principais nomes da vitivinicultura brasileira.

O talento de Pulenta ganha destaque nos vinhos Corte A, B e C da Vistalba, também distribuídos no Brasil pela Domno. São rótulos soberbos, como os tangos argentinos. A linha Tomero – de vinhos varietais – é menos tradicional e mais moderna. Está sintonizada com a preocupação dos argentinos em oferecer vinhos mais frutados e jovens aos consumidores, mostrando que das videiras de Mendoza também podem sair ótimos vinhos para o dia a dia, para beber de calça jeans, moletom ou até de pijama, sem o terno e gravata dos grandes e pesados malbecs. Esta é uma distinção adequada: enquanto a linha Vistalba Corte A, B e C é para tomar aos sábados e domingos, a linha Tomero é especial para os dias de semana. Até quem sabe uma sexta à noite, pois está longe de ser rápido e insosso.

A propósito, a imagem do Tomero no rótulo do vinho é um tributo ao trabalhador do dia a dia. Mais especificamente, o trabalhador responsável pela distribuição e o manejo da água destinada à irrigação dos campos, tarefa vital para o desenvolvimento do plantio da propriedade “Los Alamos”, situada na região de mesmo nome, na cidade de Tunuyán, próxima à Mendonza.

O vinho do meu Malbec World Day, sorvido numa típica noite de outuno na capital dos gaúchos, não foi nenhum Messi, mas se comportou com a competência sóbria de um legítimo Mascherano (volante argentino que já jogou no Corinthians e hoje está no Barcelona). O Tomero Malbec 2011 não é craque, mas joga um bolão!

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