segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Os bons vinhos da Áustria, elegantes como a valsa

>Lucila e Maurício da The Special Wineries
Nos últimos três anos deparei com os vinhos da Áustria em várias feiras internacionais de vinhos – ProWein, na Alemanha, London Wine Fair, na Inglaterra, e Vinexpo, na França. Sempre fiquei impressionado com o número de produtores presentes e com o tamanho de seus espaços, em muitos casos, ocupando quase um pavilhão, como na ProWein, em Düsseldorf. Também pudera, das cerca de 6 mil vinícolas existentes no país, aproximadamente 2 mil exportam seus produtos. Mas nunca tive tempo para me dedicar a degustar seus rótulos. Provei um ou outro vinho, em geral escolhi os brancos, Riesling, claro, com garrafas típicas desta variedade essencialmente utilizada na Alemanha. 

O débito, contudo, poderá ser compensado agora que conheci no Encontro de Vinhos realizado em Curitiba, no último sábado (27), a The Special Wineries – a única importadora 
da América Latina especializada em vinhos austríacos. Ela tem o apoio da OWM, organização governamental responsável pela promoção dos vinhos austríacos pelo mundo, ou seja, o Wines of Brasil de lá. A importadora – comandada por Lucila Taninaga (ex-Marketing da Natura), Mauricio Rodrigues (ex-engenheiro da Embraer) e Ricardo Martins (que ainda trabalha na Hyundai) – traz 47 rótulos (já foram 72 produtos) de 39 vinícolas. O trabalho já tem dois anos, sendo que, comercialmente, os resultados começaram a aparecer nos últimos 12 meses. Já é possível encontrar os surpreendentes vinhos da Áustria em São Paulo (capital e interior), Rio de Janeiro, Florianópolis, Natal e Espírito Santo.

O resultado é que os consumidores brasileiros passaram a ter mais acesso aos vinhos do país da valsa. As estatísticas de entrada de vinhos no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram que a importação de rótulos australianos começaram em 2004, timidamente, com cerca de mil litros, que subiram para cerca de 1,6 mil litros em 2005, 2006 e 2007. Em 2008, ouve um “boom”, com a importação de aproximadamente 12 mil litros, que no ano seguinte não foram repetidos e caíram à média de 2 mil litros até 2010. O ano passado voltou a ter a entrada de 28,5 mil litros de vinhos austríacos, o recorde no país e mais do que o dobro de 2008. Mérito da The Special Wineries, que agora busca mercado no Brasil. Até setembro deste ano, entraram 4 mil litros de vinhos, uma queda de 38% em relação ao mesmo período do ano passado. Natural, a empresa fez estoque o ano passado e agora está abrindo mercado pelo país afora.

A julgar pela qualidade dos vinhos, terá sucesso. Provei quatro rótulos no Encontro de Vinhos de Curitiba e gostei de todos. Mais do que isso: fiquei surpreso positivamente com os vinhos.

O primeiro deles foi o Lois [foto acima], safra 2011,
 12,5% de álcool, da região de Kamptal, da uva Grüner Veltliner, a principal uva autóctone da Áustria, presente em 45% da produção local. Um vinho de ótima acidez, com aroma marcante de maçã verde. Mauricio Rodrigues diz que o vinho harmoniza bem com sushis e sashimis, além de alcachofra e aspargos. Não duvido, apesar de não ser fã da culinária japonesa! Pra tomar num final de tarde, ele é ótimo. Ou como aperitivo. O problema é o preço: próximo dos R$ 100. Para um vinho de entrada, é muito caro. Vale pela novidade de ser um rótulo típico e único. Mas é difícil renovar a compra a este valor. Este vinho, conta Rodrigues, faz muito sucesso no Japão, que é o segundo importador dos vinhos austríacos – atrás dos Estados Unidos.

>Sal'mon safra 2009: um típico Riesling
alemão, quer dizer, austríaco
O meu preferido foi o Sal’mon, safra 2009, da região de Kremstal, um típico Riesling alemão (12,5% de álcool). No rótulo, há um salmão de óculos escuros! Devo confessar que, em matéria de Riesling, ou adoro ou detesto. Este é bem mineral, traz a tipicidade evidente da variedade, apresenta aromas de petróleo e querosene no nariz, mas agradáveis e não enjoativos como em alguns exemplares alemães. Para o meu gosto, claro.  Na boca, tem notável acidez e frescor e é muito seco. Talvez por isso tenha me agradado bastante. Fiquei salivando ao imaginar ele com salmão ou camarões.

Por fim, provei o Sankt Laurent Selection, safra 2008, da região de Burgenland (13% de álcool). Gostei! A uva é derivada da Pinot Noir. E realmente o rótulo lembra um bom Pinot Noir da Borgonha. A curiosidade fica por conta da vinificação – ele é elaborado com uvas de videiras com cerca de 25 anos, fermenta em carvalho austríaco e depois amadurece por 12 meses em carvalho francês de 2º e 3ª uso.

Já ia embora quando Lucila Taninaga me chamou e ofereceu uma prova do Johanneshone, safra 2008, segundo ela uma expressão clássica da região de Blaufränkisch, com 13% de álcool. Um vinho elegante, sem dúvida, com uma tipicidade de terroir interessante. Gostaria de ter tempo pra deixá-lo na taça e voltar a degustá-lo após um tempo. Ele amadurece apenas em carvalho austríaco, que é muito parecido com o carvalho francês, mas, como diferencial, não é tostado.

>St Laurent: uva autóctone
austríaca derivada
da Pinot Noir

Tal como a valsa, os vinhos austríacos tem a marca da elegância e uma pitada de ousadia e sabor que pode ser comparada a outro produto típico do país – a torta de chocolate. Enfim, uma boa surpresa que merece ser explorada desta vitivinicultura milenar herdeira do Império Romano, que tem boa parte de sua produção orgânica ou biodinâmica (450 vinícolas). Mas isso é assunto pra outro post.

Ficou curioso, então entra no site www.vinhosdaaustria.com.br e saiba mais sobre os vinhos austríacos. 



>O mapa da Áustria com as principais regiões vitivinícolas demarcadas. Clique nela para aumentar.

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