terça-feira, 4 de setembro de 2012

Intrépido e Bandeiras: os primeiros vinhos finos de Goiás

>Bandeiras e Intrépidos, os primeiros "filhos"
do médico e viticultor Marcelo de Souza
Os vinhos brasileiros seguem produzindo novidades. A última delas vem de um local improvável para se elaborar vinhos finos de qualidade – o estado de Goiás. Pois foi na Vinum Brasilis, em Brasília, que conheci o médico otorrinolaringista Marcelo de Souza, proprietário da Pireneus Vinhos e Vinhedos. Ele apresentou os primeiros dois rótulos de produção própria: o Intrépido (Syrah 2010) e o Bandeiras (Barbera 2010). Fiquei espantado com a qualidade dos vinhos! E quis saber mais sobre a história do produtor.

Souza diz que sempre foi um amante da Bebida de Baco. Em 2003, resolveu tornar seu sonho de elaborar bons vinhos em realidade. Natural de Goiânia, percorreu durante dois anos o estado de Goiás em busca de um terroir adequado para produção de uvas que pudessem gerar vinhos de qualidade. Em 2005, encontrou uma área metida em um vale, na Serra dos Pireneus, uma cadeia de montanhas situada entre os municípios de PirenópolisCorumbá de Goiás e Cocalzinho. A altitude no local é de 930 metros. Os vinhedos estão em um vale, cerca de 200 metros abaixo de montanhas que guarnecem o local.
>Marcelo de Souza: pioneiro na
produção de vinhos finos em Goiás

“A localização geográfica foi determinante para a escolha da área”, conta o médico e viticultor. Segundo ele, a amplitude térmica nos vinhedos é um dos trunfos do lugar. Em junho e julho, faz uma média de 29ºC ao dia e 10ºC à noite. Em agosto, a temperatura vai de 32ºC (dia) para 12ºC (noite). E em setembro, a diferença é de 35ºC (dia) e 15ºC (noite). “Sem chuva alguma”, reforça. Por isso a necessidade de irrigação. A vitivinicultura é, portanto, trabalhada em um clima tropical de altitude. O ciclo da videira é invertido. Ou seja, a colheita ocorre no inverno. A safra de 2012, aliás, começou a ser retirada dos vinhedos em meados de agosto e segue até o final do mês.

Quatro variedades são cultivadas por Marcelo de Souza em quatro hectares de vinhedos: Barbera, Syrah, Tempranillo e Sangiovese. “Faço vinhos que respeitam este terroir e estas uvas são as que melhor se adaptam no cerrado brasileiro”, destaca o produtor. O plantio das primeiras mudas foi realizado em 2005. Em 2008, foram elaboradas as primeiras garrafas experimentais. Mas a safra inaugural é a de 2010 – os rótulos Intrépido e Bandeiras.

Intrépido

Apesar de varietais, estes dois vinhos levam em sua composição outras uvas. Aproveitando a possibilidade de nomear um vinho varietal com 75% de uma só uva (conforme a legislação brasileira), o produtor qualificou o Intrépido de Syrah (87%), apesar de ele ainda levar 13% de Tempranillo. Com passagem de 11 meses por barricas novas de carvalho francês e americano, o Intrépido se mostra bravo na taça. É saboroso, suculento, tem fruta (cassis, ameixa preta, pimenta preta, cravo) perfeitamente integrada ao carvalho, que trouxe notas de chá e café tostado. Os taninos ainda estão um pouco nervosos, nada que o tempo não resolva. É uma criança que deverá atingir seu auge daqui quatro, cinco anos. É muito persistente, tem um final de boca longo. Apresenta 14,5% de álcool, que não são notados nem no nariz nem na boca. Foram produzidas 2.500 garrafas. E o preço é de R$ 65.

Bandeiras

A grande surpresa, contudo, é o Bandeiras, cujo nome é uma homenagem aos Bandeirantes, descobridores da Serra dos Pireneus em 1727. Ele tem 85% de Barbera, 10% de Tempranillo e 5% de Sangiovese. Metade do vinho amadureceu por seis meses nas barricas americanas e francesas que abrigaram o Intrépido. Logo, são de segundo uso. Este vinho surpreendeu pela elegância e força. Não tem nada a ver com alguns barberas rápidos, leves e sem graça. Tem boa estrutura, taninos firmes, certamente emprestados da Sangiovese e da Tempranillo. A cor é um rubi violáceo intenso. No aroma, frutas negras, ameixa preta e o carvalho presente. Na boca, uma surpresa: tâmara. É muito saboroso e o aroma e o gosto se prolongam. Tem incríveis 15% de álcool. Como o Intrépido, não parece. Há apenas 1.500 garrafas. E o preço é de R$ 75.

Não há dúvida que o neófito produtor de vinhos começa com o pé-direito. Ajudou a experiência do seu enólogo responsável, Marcos Vian, ex-Salton, que também trabalha para Basso (Monte Paschoal) e Sanjo, entre outras empresas. O acerto se dá sobretudo porque seus rótulos iniciais representam o seu objetivo – “elaborar vinhos tintos encorpados, maduros, de ótima qualidade”. É assim que são o Intrépido e o Bandeiras. E que assim seja com o varietal Sangiovese que está a caminho. 

4 comentários:

  1. Orestes,

    esses vinhos me interessaram bastante.

    entrei em contato com o produtor, mas ele não me deu muita bola, rsrs...

    quando for a Pirenópolis vou procurá-los e, talvez, fazer uma visita ao produtor.

    Saúde!

    Gil Mesquita
    www.vinhoparatodos.com

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  2. Vamos degustar no final de setembro, aqui na Serra. Fica tranquilo. Grande abraço! Orestes Jr.

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  3. Na Zahil Brasília acabou de receber o lote do Bandeiras 2013 . (61) 3248-3111

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